PASSAGEM NUNCA ESTÁ


Para quando fico triste

O Astronauta de Mármore - Nenhum de Nós


A lua inteira agora é um manto negro
O fim das vozes no meu rádio
São quatro ciclos no escuro deserto do céu
Quero um machado pra quebrar o gelo
Quero acordar do sonho agora mesmo
Quero uma chance de tentar viver sem dor

Sempre estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar
Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite vai temer o fogo
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul

A trajetória escapa o risco nu...
As nuvens queimam o céu matiz azul...
Desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu
Na lua o lado escuro é sempre igual...
No espaço a solidão é tão normal...
Desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu

Sempre estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar

Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite vai temer o fogo
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul

Estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar

Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite vai temer o fogo
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul...

 

 

Era assim, sempre foi. Quando estava triste, era certo ligar o rádio e ouvir meu astronauta de mármore me contar coisas sobre a vida. E o tempo passava.

Como se disso dependesse a vida de alguém, ele ficou ali, sentado sobre as mãos, observando a escuridão. O que ela poderia ver que fosse mesmo verdade? Às vezes chora por nada, sentia a dor por alguém.

Pois é. A vida é assim. As mãos, perdidas nos braços, a cabeça, com um turbilhão de pensamentos vazios. A tristeza de um desentendimento, quando tudo deveria ser mais belo.

Talvez eu precise me dedicar mais às pessoas. E pensar menos. Agir ajuda. Sentir a dor por alguém.

Sinto falta de estar presente aqui como antes. Mas isso, esse distanciamento, faz parte do processo em andamento. Deve fazer. Será que por muito tempo? Até onde me levará essa coragem? Até onde chegarei nesse estranhamento de perder a fé? É um estranhamento? O que sentimos? Tristeza. Estranho como olhar pra trás e esquecer um nome. Estranho como não sentir mais sono todos os dias, pela manhã. Estranho como a sensação boa de entendimento. O esquecimento é tão longo...

Momento bom. A ser partilhado. Com todos. Comigo. Preciso aprender a partilhar. A entender, sobretudo, a canção.

Para quando fico triste, uma conversa com meu amigo astronauta. Ainda que de mármore, um grande consolo. Para quando fico triste, os versos inundantes de Neruda. As fotos de uma vida. As letras rabiscadas de um passado. A melodia de um acústico que ainda faz meus olhos encherem de lágrimas.

Para quando fico triste, a idéia de que amanhã recomeçarei de novo, e de novo, e de novo... e, quem sabe, um dia as coisas andem pelo caminho correto...

"Os homens trocam as familias, as filhas filhas de suas filhas, e tudo aquilo que não podem entender. O tempo passa e nem tudo fica, a obra inteira de uma vida, o que se move e o que nunca vai se mover..."



Escrito por * yo * às 18:45:24
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